quarta-feira, 27 de abril de 2011

O Fundo do poço está longe de ser o limite

Estava tudo numa boa. Eu estava feliz como nunca havia estado antes. Tudo era bom. Divertido. Maravilhoso. Meus amigos pareciam melhores e minhas roupas também. Minhas noites eram as melhores. Fazia tanto tempo que não me divertia daquele jeito. Na verdade, eu nunca tinha me divertido assim.
Muita música, muita bebida, muito menino bonito. Eu estava dançando de um jeito diferente, mais solto, com mais vontade. Balançava minha cabeça de um lado pro outro enquanto molhava meus cabelos com água mineral. Fechei os olhos e me deixei levar pela música. Dava altos gritos e ria muito, talvez eu já tivesse bebido além do que poderia e gostaria. Esbarrei em um menino que sorriu e passou a mão no meu rosto. Sorri, pisquei, e segui meu caminho dançando.
Quando parei, vi tudo girar. Cambaleei e sai esbarrando em algumas pessoas, até encontrar apoio. Senti meu estômago revirar. Ver todas aquelas pessoas rindo e dançando rapidamente me deixava mais tonta. Tentei encontrar algum amigo meu no meio daquela multidão. SEM SUCESSO. Resolvi ir embora sozinha.
As luzes, os sons e as pessoas que passavam conversando me deixavam confusa. Passei pela porta bem desorientada. Dei alguns passos, atravessei a rua e continuei andando. Ouvia algumas businas de vez em quando - não sei se pelo fato de eu estar no meio da avenida ou pelo jeitinho "comportado" que eu estava vestida - e tentava vomitar entre esses intervalos.
Me deu um sono repentino. Eu estava completamente mal. Cheia de nausea, tontura, sono e frio. Lembrei do André e comecei a chorar ali mesmo, minhas forças acabaram. Fui me encolhendo e alí mesmo fiquei. Vestida como uma prostituta, deitada no chão, em uma esquina qualquer.
Com certeza a Carol estaria morrendo de desgosto e vergonha de mim agora.

Um comentário:

  1. Adorei :)
    Lendo o texto parece que senti na pele cada uma das sensações... e isso me atrai muito.

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