quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Sonho de Padaria

Fim de semana perfeito! Estava tudo armado!
Meus pai iriam viajar e pela primeira vez eu ficaria sozinha em casa. Sai do chuveiro e me troquei para ir ao colégio naquela sexta-feira ensolarada e feliz. Desci, tomei café da manhã e lembrei das revistas em quadinhos que a Carol lia todo dia de manhã. Escovei os dentes e sai de casa. Fui caminhando devagar, sem pressa de chegar ao meu "tão sonhado destino". Ouvi meu nome, olhei para trás. Era o vizinho da frente.
Caminhamos lentamente enquanto falávamos sobre espectativas para o nosso futuro. Sorri para ele em um certo momento e disse:
- Acho que meu futuro inclui você.
Ele meio envergonhado disse que seria uma honra ser meu amigo para sempre, acabou com minhas esperanças, mas nem me importei. Ele segurou em minha mão para me fazer andar mais depressa, mas eu só queria que aquele momento durasse muito e mais muito tempo.
No intervalo uma menina me parou e perguntou:
- Menina. Você está namorando o André?
Sim. Esse era o seu nome: André Macedo de Lira, o nome mais perfeito de todos. Respondi que não, que éramos apenas amigos e pensei "para o meu azar". Pensei em esperá-lo no portão da escola na hora da saída, mas acho que a @carlinha_ pensou o mesmo e o fez primeiro. Lá estava ela: calça jeans, camiseta regata do colégio, cabelos soltos e com tiara de lacinho no cabelo. E o pior: com uma caixa de Bis de Laranja na mão.
Para a minha felicidade ele demorou para sair do colégio e ela achou que ele já havia ido embora. Deu tchau para as suas amigas e foi embora, logo em seguida o André apareceu e me surpreendeu com um beijo na bochecha.
Sorri e disse que a namorada dele tinha acabado de ir embora. Ele pareceu não se importar, pegou no meu braço e me chamou para irmos embora. Estava tudo perfeito. Nós ríamos muito e andávamos de mãos dadas. Ele dizia que precisava me puxar pois eu era muitíssimo lenta.
Resolvemos brincar de andar de costas. Andamos umas duas quadras sem cair e sem esbarrar em nada, até chegarmos na frente de casa e quase derrubarmos algo, ou alguém. Olhei para trás, era ela. A @carlinha_ tinha ido até a casa dele para o esperar, que sentimento ruim eu senti naquele momento.
Ela deu um selinho nele e sorriu. Ele ficou muito sem graça. Eu disse que precisava ir e entrei em casa.
Olhei pela janela da sala. Os dois estavam de mãos dadas e ela sorria, enquanto ele disfarçadamente olhava em direção à janela do meu quarto. Eles entraram na casa dele e eu fui para o computador, na esperança de que ele twitasse alguma coisa a respeito do que eles estavam fazendo. Quando eu menos esperava lá estava o seu tweet:
"a @carlinha_ está aqui, acho melhor eu dar atenção pra visita *-*"
Na hora puxei o fio do computador da tomada e joguei alguns livros no chão. Deitei na cama e comecei a chorar, nunca tinha sentido aquilo na vida e só sobia que ver ela bem longe dele seria a solução para o problema.
Algumas horas se passaram e eu esperava que ela já tivesse ido embora. Sai para comprar pão e ele saiu logo em seguida. De repente ele me gritou:
- Alice!
Fingi não ouvir e continuei andando.
- Ei, espera!
Parei, esperei e então ele colocou a mão no meu ombro:
- Calma, onde vai com tanta pressa?
- Na padaria, por quê? - Respondi com toda fúria que alguém poderia ter.
- Por que você está falando assim comigo?
- Olha, eu nem sei o porquê de eu estar te respondendo. Você não tem nada haver com a minha vida! Acredito que dentro da sua casa tenha coisa muito mais interessante te esperando, com licença. - Virei as costas e comecei a andar mais depressa.
- Ah, então é isso? Nada a ver, ela já foi embora.
- E o que eu tenho a ver com isso? ELA é a sua NAMORADA! E estando aqui ou em qualquer outro lugar vai continuar sendo!
Continuei meu caminho e não olhei mais para trás. Fiquei alguns minutos na padaria, pensando na vida e esqueci de comprar o que eu queria, na verdade nem lembro o que eu fora fazer alí. Levantei, sequei algumas lágrimas e sai da padaria. Quando coloquei o pé para fora e olhei para o lado dei de cara com ele:
"Vizinho da frente, 1,80 de altura, cabelos loiros, olhos verdes... André macedo de Lira, o amor da minha vida".
Dei meia volta e fui em sentido contrário. Ele pediu com voz mansa para que eu o esperasse, então parei. Ele me virou para ele e passou a mão no meu rosto:
- Estava chorando?
- Eu tava, por quê? - Falei com voz trêmula e com o rosto completamente vermelho.
Então ele me abraçou e passou a mãos em meus cabelos. Disse que ele sabia o que estava acontecendo e que não era namorado da @carlinha_. Então eu perguntei o que ela estava fazendo na casa dele e saindo por aí beijando ele na boca na frente de todo mundo.
Ele me disse que não era nada sério e que naquela tarde já tinha acabado tudo com ela. Então eu perguntei se era verdade, ele disse que sim e perguntou se eu sabia o porquê. Então eu perguntei:
- Por quê?
E ele me respondeu sorrindo:
- Porque a menina que eu amo é Você!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Saudades de Ter Lembranças

Correndo pela areia e rindo sem parar, minha felicidade parecia não ter fim. Ela gritava meu nome e me chamava de "doidinha" enquanto atirava areia em minhas costas. De repente sinto um tremendo impacto e caio no chão, ela acabara de pular em mim como quem pula em um colchão. Bati meu rosto na areia seca mas estava tão eufórica que nem pareceu doer tanto assim. Disse ai. Ela saiu de cima de mim desesperada e perguntou se eu estava bem. Respondi que sim e caímos na gargalhada.
Depois de algumas horas na praia voltamos para a casa de praia da família e eu percebi que meu rosto estava ardendo um pouco. Ela sorriu e disse que não me avisou pois não queria me preocupar, mas meu rosto estava completamente "desfigurado", foi o termo que ela usou. Eu coloquei a mão no rosto e corri para o banheiro, em direção ao espelho, mas precisamente.
Sai correndo em direção á ela e pulei em cima dela. Caímos na risada enquanto eu dava tapas leves em seus ombros. Ela havia me enganado. Depois de rirmos um pouco, encostamos uma na outra e acabamos adormecendo.
Essa é uma das melhores lembranças que tenho da Caroline, a melhor irmã que alguém poderia ter, e que o destino resolveu me roubar.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Debaixo do seu Guarda-Chuva

Estava andando a alguns quilômetros por hora em minha bicicleta rosa e florida que havia ganhado no meu aniversário de 13 anos. Finalmente haviam construído uma ciclovia, ou pintado bicicletinhas no asfalto, ou estavam tentando evitar acidentes com ciclistas ou, enfim. Eu já poderia andar seguramente de bicicleta pelas ruas movimentadas do meu bairro.
Cantarolando e bem sorridente, eu procurava algum estabelecimento que pudesse matar aquilo que corroía minha garganta e me deixava meio estressada. Avistei uma lanchonete e mirei o pneu dianteiro em direção a ela, levei uma buzinada, quase morri ali. Não liguei e segui em frente, precisava mesmo de um bom líquido.
Parei em frente a lanchonete e apoiei a minha bicicleta na parede. Entrei e pedi um suco de laranja natural sem açúcar. Estava eu satisfeita com minha garganta refrescada naquele belo dia de sol, quando de repente começa a chover. Lembrei que minha bicicleta estava do lado de fora e disse que precisava tirá-la da chuva. O atendente da lanchonete virou para mim e disse:
- Acho que aquele menino já está fazendo isso para você.
Sai desesperada de lá e comecei a correr atrás do dito cujo. O garoto corria com minha bicicleta nas mãos, o que era curioso, pois se eu tivesse roubado uma bicicleta eu subiria nela para fugir de sua dona desesperada que correria muito, mas muito rápido atrás de mim.
Depois de correr muito atrás dele, consegui me aproximar. Ele esperou eu tocar em suas costas para subir na bicicleta e me deixar com cara de idiota, morta de cansaço no meio da rua. Deitei no chão, toda molhada e suja de lama e fiquei lá por alguns instantes de olhos fechados.
Quando abri meus olhos eu vi o vizinho da frente de cabeça para baixo e pensei estar delirando. Fechei e abri os olhos novamente, ele continuava de cabeça para baixo, mas dessa vez sorriu e perguntou se estava tudo bem. Eu coloquei a mão na cabeça e disse que precisava recuperar minha bicicleta. Ele disse que eu estava toda suja, deitada no chão, no meio da rua e que eu não deveria me preocupar em recuperar uma bicicleta.
Ele me estendeu a mão e me ajudou a levantar. Caminhamos sob o seu guarda-chuva até chegarmos na frente de nossas casas. No caminho ele disse que adorou o presente, perguntou como eu sabia que ele gostava de Bis de Laranja, e disse que achava que os tênis não lhes serviriam, pois ele já havia passado dos 32 faziam muitos anos.
Eu respondi sua pergunta e disse que o presente deveria ser fofo assim como ele, por isso comprei os menores que tinham. Ele sorriu e limpou meu rosto que estava sujo com respingos de lama. Enfim chegamos em casa e paramos entre nossas casas. Eu agradeci e pedi desculpas por ter agarrado ele na escola. Ele disse que já havia esquecido, mas que já que eu havia tocado no assunto, gostaria de saber o porquê de eu ter feito aquilo.
Depois de eu dizer ele sorriu e disse que não era nada da prima distante, que ela só o convidou para a festa e que pegou em sua mão quando o viu do lado de fora, para que ele entrasse já que estava com vergonha.
Eu pedi desculpas de novo e disse que era melhor eu entrar e tomar um banho. Sai de baixo do guarda-chuva dele e ele me segurou pelo braço.
- Ei! - Ele me chamou e eu o olhei com cara de interrogação.
- Você é louca mas é legal. - Ele me deu um beijo na bochecha e sorriu - Espero que nos falemos mais vezes.
Eu sorri meio sem reação e corri para dentro de casa. Bati a porta e dei um grito muito alto, aquele tinha sido um dos melhores dias da minha vida. - Espero que ele não tenha me ouvido gritar.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Pra Sempre?

O Vizinho da frente segurou em minhas mãos e suspirou. Podia ver a alegria em seus olhos quando me olhava, as mãos suadas de nervosismo e seu coração batendo tão forte que eu podia ouvir.
Minhas bochechas coradas e meu sorriso bobo não negavam minha felicidade e nós andávamos de mãos dadas como se estivéssemos completamente apaixonados um pelo outro.
Deitávamos na grama verdinha de um parque lindo e ficávamos olhando os pássaros enquanto eu dava Bis de Laranja na boca dele. Ouvíamos "Te quero tanto" de Maurício Manieri e nos abraçávamos intensamente, como se só existe nós dois.
Ele sussurrou que me amava e que queria passar o resto dos seus dias ao meu lado, passou a mão carinhosamente em meu rosto, eu já podia sentir sua respiração. Fechei meus olhos e ele colocou uma de suas mãos em minha nuca. Disse bem perto do meu rosto: "Vai ser pra sempre". Sorri e estiquei os lábios...
Seis horas! Hora de ir pra escola Alice! - O despertador me alertou.

All Star Azul

Havia chegado tarde na noite passada e mesmo assim fui obrigada a ir ao colégio, teria prova de física e uma simulação de vestibular depois da aula. Realmente não sei se me sairia muito bem. Passaram-se as três primeiras aulas e com elas a prova de física. Sucesso! Eu havia me saído muito bem, nem imagino como. O intervalo estava mais colorido para mim, eu chegava a cantarolar e a dar bom dia para todos que passavam na minha frente. Tudo parecia ir maravilhosamente bem até que eu vi o vizinho da frente beijando uma menina no meio da escola, na maior falta de vergonha naquela cara linda dele.
Meus olhos se encheram de fúria e eu sem pensar fui na direção deles. O puxei pela camiseta e perguntei se ele não tinha vergonha. O menino ficou vermelho, quase roxo e me olhava com uma cara confusa e meio irritada. Ao mesmo tempo que ele virou e me olhou eu pensei: "Fiz Besteira"! Antes que ele pudesse me chamar de louca ou qualquer coisa do tipo, o soltei rapidamente, passei a mão em sua camiseta amarrotada pela fúria e pedi desculpas louca e continuamente, o deixando sem reação.
Me virei e voltei para o pátio coberto. Enquanto me afastava podia ouvir as meninas que estavam em volta dele rirem, rirem muito, inclusive aquela que estava beijando o menino dos meus sonhos, que era namorado da prima distante.
Depois da aula fui fazer a outra prova e estava muito mais nervosa do que para a primeira. Só conseguia pensar que ele me achava louca, louca e louca e que nunca mais sorriria pra mim quando eu aparecesse na janela durante as manhãs. Eu cheguei a acreditar que ele havia mudado de colégio por mim, mas acho que eu me equivoquei um pouco.
Cheguei em casa arrasada e nem quis comer. Entrei no Twitter e ele havia acabado de twittar. Entrei no em seu perfil e li os tweets mais recentes:
" Comendo Bis de Laranja #ilove"

" hoje foi perfeito com ela @carlinha_ "
" hoje minha vizinha me agarrou na escola - mto #tenso "
Tinham muitos outros, mas esses foram os que mais me chamaram atenção. Sabia que ele amava Bis de Laranja, que gostava da @carlinha_ , que realmente me achava louca e o pior de tudo: sabia que eu era a vizinha dele. Desse último tinha uma parte boa, ele me notava e me reconhecia!
Fui dar uma volta no shopping e vi um All Star Azul na vitrine, ele era lindo, cheio de brilhos e muito fofo. Me lembrava o vizinho da frente. Entrei e pedi para experimentar um nº 35,36. A Vendedora disse que aquele só ia até o nº 34, para o meu azar. Pedi esse mesmo, não me serviu, então pedi um nº 32 e disse que iria comprar. Passei na doceria, enchi os tênis de Bis de Laranja e fui para casa.
Escrevi em um papel em forma de coração "Mil Desculpas", coloquei entre os cadarços, amarrei um tênis ao outro e pendurei na porta de entrada da cada dele.
Segui para a minha casa e fiquei no computador, depois de umas duas horas, um sorriso enorme nasceu no meu rosto. Ele havia twittado:
" @alicestar é louca! - Obrigado pelo presente *-* "


domingo, 10 de outubro de 2010

Festa em Família

Hoje acordei mais cedo, é sábado e aniversário de uma prima. Não queria ter que fazer parte dessa comemoração sem graça e inútil, mas se não descesse as escadas e pegasse o meu vestido novo, estaria banida do mundo intelectual para sempre.
Tomei um banho como se estivesse cortando os pulsos; tomei café como quem toma suco de beterrabas com agrião e deixei meus cabelos DAQUELE jeito (acho que eles me enforcariam na noite seguida). Minha mãe disse que aquilo não era um sacrifício, e que passar um tempo com a família era essencial. O que ela não sabe é que ficar na internet é muito mais importante do que dar os cumprimentos à uma prima distante!
Entrei no twitter e perguntei para as meninas qual salto eu deveria usar. Sem sucesso, todas dormindo. Ainda teve um super viciado e nerd que me respondeu: "@alicestar qualquer um gatinha, seus pés são lindos". Sabia que entrar àquela hora na internet seria frustrante, mas não esperava tal elogio do @supergato, realmente me animou e me fez querer mais ainda me jogar na cama e mandar todos irem pro espaço!
Disse um educado obrigada e me desconectei. Segui o conselho dele e coloquei qualquer um, aquele vestido não era tão feio e combinava com os meus saltos.
Nunca vi coisa mais brega que festa antes do almoço. Tipo: "sei que vocês não têm comida em casa e como o café da manhã é a refeição mais importante do dia, resolvi deixá-los fortes e felizes para que me presenteiem". Não sei o que passou na cabeça da minha tia, mas sei que na minha se passava um possível homicídio.
O tão esperado momento se aproximava. Pessoas mais íntimas iam chegando e se instalando nas pequenas mesas de plástico cobertas por toalhas de seda lilás nos fundos da minha grande e bonita casa. Na verdade não era tanto assim, mas do jeito que meus parentes gostavam de comemorar suas rugas, cabelos brancos e perdas de memória nela, comecei a acreditar que ela realmente era desse jeito!
Sentei entediada em uma das mesas e apoiei meu queixo em uma das mãos. Quando pensei que não teria outro jeito a não ser me entupir de salgadinhos gordurosos, ele entrou: cabelos loiros ao vento, olhos verdes, 1 e 85 de altura, vizinho da frente. Todo dia de manhã, quando abria a janela do meu quarto, eu o via saindo para ir ao colégio. Cheio de estilo e com carinha de modelo, sorria para o nada e passava a mão nos cabelos. Um dia até chegou olhar em minha direção, mas antes que ele pudesse sorrir ou acenar eu me abaixei, como uma gazela com medo de seu predador. Sonhei com ele algumas vezes, mas nada muito sério. Ele sempre falava no celular com cara de bobo, tinha certeza que ele era comprometido, mas isso não me impedia de achá-lo o menino mais bonito da rua.
Catástrofe: ele estava de mãos dadas com a prima distante!