quarta-feira, 4 de maio de 2011

Eu acho que acredito

Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros e que, para a maioria, é so um dia mais.”
José Saramago

"Papai olha o que eu fiz pra você e pra mamãe!"
"Que lindo filhinha, porque não mostra pra ela?"
"Não! Ela já viu, vou mostrar pra minha irmã - Irmã! Irmã! Olha o meu desenho, está bem mais bonito que o seu e... Irmã? Carol?! Carol?! Pai a Carol não acorda!"

Acordei suando e com a boca seca, faziam alguns anos que eu não sonhava com ela. Pra ser mais exata, faziam 8 anos que eu não sonhava com ela, só acordada. Imaginando como ela seria se tivesse vivido pra se tornar mulher. Quantos namorados ela teria, quantas vezes teria desobedecido meus pais por causa de uma baladinha...
Durante dois anos seguidos eu sonhei com aquele dia. Durante dois anos seguidos eu fui uma filha rejeitada pela mãe e não compreendida pelo pai. Eu me sentia culpada, já que todos me tratavam como tal.
Não comia, não dormia, não vivia...
Depois de alguns meses de terapia intensiva - individual e em família -, nós nos recuperamos. Mas não era fácil viver daquele jeito. Eu acho que fui a única que superei de verdade. Depois do tratamento nunca mais sonhei com ela, não deixei de comer, de viver, virei uma criança como qualquer outra e prometi a mim mesma que não me deixaria colocar em uma situação dessas novamente.
Agora veja! Eu aqui, dez anos depois volto a sonhar com ela, com a morte dela. E já me vejo indo pelo mesmo caminho pelo André. Não quero, não posso. Eu era criança. Fraca, inocente. Hoje já sou uma mulher. Preciso colocar minha cabeça em ordem e seguir em frente, ser forte! Um exemplo para os pais e demais pessoas que o amam.

Um comentário:

  1. Orgulho-me tanto de você, meu amor. Você tem uma criatividade imensa, e um dom de prender a minha atenção nas suas histórias... (aliás, essa história está ficando cada vez mais interessante e cheia de vertentes).
    Eu te amo, pelo que você é.

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