Chegou um certo momento que meu coração pareceu ouvir uma voz. Talvez fosse a sua voz, a voz do André Macedo de Lira me pedindo pra seguir em frente, pra não perecer. Levantei um certo dia com um enorme sorriso e muita vontade de viver. No colégio eu estava diferente, todos reparavam.Uns sorriam com meus sorrisos e outros criticavam a minha felicidade diante dos ocorridos.
Tive que aprender a viver novamente.No começo foi difícil sair de casa de manhã e ver que não tinha ninguém me esperando na porta da casa da frente. Chegar no colégio e ter a sensação de abandono. Nos momentos de tédio durante as tardes não ter ninguém pra me fazer rir e não ter a quem fazer carinho, dar amor e atenção... mas infelizmente a gente se acostuma.
As poucas-coisas que se diziam amigas do VIZINHO DA FRENTE fingiam solidariedade e crucificavam a minha felicidade. Eu ficava muito envergonhada de tudo aquilo, mas não poderia deixar aquele estado deprimente tomar conta de mim outra vez.
Naquele mesmo dia fui visitá-lo no hospital. Três meses haviam se passado e ele continuava na mesma, em coma. Eu chorei diante dele mais uma vez e pedi perdão. Desabafava enquanto acariciava suas mão frias e inertes. Percebi que lutar seria inútil, eu deveria permanecer com meus sentimentos de angústia e dor, por amor à ele. Deixei perto de sua cama uma caixa de biz de laranja, beijei sua testa e em seguida seus lábios.Enxuguei minhas lágrimas e comecei a acariciar seu rosto. Só pensava em como tirá-lo daquela, ou como me colocar em uma dessas. Não importava, se ele não saísse, eu entrava.
A enfermeira entrou e disse que eu tinha que sair. Concordei balançando a cabeça e disse que já sairia. Me levantei, olhei para minhas mãos enquanto as apertava uma na outra, e antes de sair o disse:
" Eu tentei amor, mas é IMPOSSÍVEL viver SE NÃO FOR COM VOCÊ"
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