domingo, 10 de outubro de 2010

Festa em Família

Hoje acordei mais cedo, é sábado e aniversário de uma prima. Não queria ter que fazer parte dessa comemoração sem graça e inútil, mas se não descesse as escadas e pegasse o meu vestido novo, estaria banida do mundo intelectual para sempre.
Tomei um banho como se estivesse cortando os pulsos; tomei café como quem toma suco de beterrabas com agrião e deixei meus cabelos DAQUELE jeito (acho que eles me enforcariam na noite seguida). Minha mãe disse que aquilo não era um sacrifício, e que passar um tempo com a família era essencial. O que ela não sabe é que ficar na internet é muito mais importante do que dar os cumprimentos à uma prima distante!
Entrei no twitter e perguntei para as meninas qual salto eu deveria usar. Sem sucesso, todas dormindo. Ainda teve um super viciado e nerd que me respondeu: "@alicestar qualquer um gatinha, seus pés são lindos". Sabia que entrar àquela hora na internet seria frustrante, mas não esperava tal elogio do @supergato, realmente me animou e me fez querer mais ainda me jogar na cama e mandar todos irem pro espaço!
Disse um educado obrigada e me desconectei. Segui o conselho dele e coloquei qualquer um, aquele vestido não era tão feio e combinava com os meus saltos.
Nunca vi coisa mais brega que festa antes do almoço. Tipo: "sei que vocês não têm comida em casa e como o café da manhã é a refeição mais importante do dia, resolvi deixá-los fortes e felizes para que me presenteiem". Não sei o que passou na cabeça da minha tia, mas sei que na minha se passava um possível homicídio.
O tão esperado momento se aproximava. Pessoas mais íntimas iam chegando e se instalando nas pequenas mesas de plástico cobertas por toalhas de seda lilás nos fundos da minha grande e bonita casa. Na verdade não era tanto assim, mas do jeito que meus parentes gostavam de comemorar suas rugas, cabelos brancos e perdas de memória nela, comecei a acreditar que ela realmente era desse jeito!
Sentei entediada em uma das mesas e apoiei meu queixo em uma das mãos. Quando pensei que não teria outro jeito a não ser me entupir de salgadinhos gordurosos, ele entrou: cabelos loiros ao vento, olhos verdes, 1 e 85 de altura, vizinho da frente. Todo dia de manhã, quando abria a janela do meu quarto, eu o via saindo para ir ao colégio. Cheio de estilo e com carinha de modelo, sorria para o nada e passava a mão nos cabelos. Um dia até chegou olhar em minha direção, mas antes que ele pudesse sorrir ou acenar eu me abaixei, como uma gazela com medo de seu predador. Sonhei com ele algumas vezes, mas nada muito sério. Ele sempre falava no celular com cara de bobo, tinha certeza que ele era comprometido, mas isso não me impedia de achá-lo o menino mais bonito da rua.
Catástrofe: ele estava de mãos dadas com a prima distante!

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