segunda-feira, 23 de maio de 2011

Impossível (?)

Depois de 5 meses sem ele, fraquejando, regredindo, me jogando no buraco. Eu decidi mudar. Dessa vez de verdade.  Só precisava de uma força a mais. Um empurrãozinho. Algo que realmente me fizesse acreditar na validade da vida. Me arrumei, comi e resolvi ir visitá-lo. Desde que tinha começado minhas aventuras noturnas, não tinha mais ido o ver.
Quando cheguei lá, ele estava sem visitas e estava tudo muito diferente. Perto de sua cabeça havia um quadro cheio de fotos e bilhetinhos, fixados nele com ímãs. Passei a mão em seu rosto e não aguentei quando vi que ninguém havia tirado a aliança de sua mão. Chorei desesperada e encontrei a minha no bolso.
Fazia mais ou menos um mês que eu não a usava. Eu estava depressiva e queria calar a minha dor fingindo que estava tudo muito bem. Saia todas as noites, bebia, e não queria fazer isso com a aliança no dedo, pois sentia que ele estava vendo toda aquela situação vergonhosa.
Coloquei-a no dedo e com lágrimas pelo meu rosto, eu o beijei, enquanto acariciava sua mão. Eu senti um leve toque e me assustei. Olhei para as nossas mãos, e a mão dele estava segurando na minha, sem que eu segurasse nela.
Ele não tinha nenhuma reação, mas eu sentia que ele estava me sentindo, e comecei a chorar mais. Por um momento fiquei feliz mas logo em seguida algo me fez desacreditar que aquilo seria possível. Sequei as lágrimas e me levantei. Ao sair do quarto me deparei com sua mãe na porta.
Olhei para ela com um misto de ternura e medo e então ela me perguntou sorrindo:
- Percebeu que ele já mexe as mãos?

Um comentário:

  1. Que ternura, que romantismo... Acho que o verdadeiro amor foi tratado nesse texto, o amor sem amarras.. só o amor. O amor e a saudade. A saudade e a esperança.A esperança e o início da sua concretização.

    - suspense -

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